Do sorriso fez-se tempestade.
Tempestuosamente despencou,
chuva forte, seca, destra;
navalhando a pele fraca,
molhando a cara suja.
Eu, um culto à perfeição,
cuja sorte do zodíaco
contemplou em tom homérico
fiz-me erro. Entre mangue,
sangue e conhaque, tombei.
Senti o gosto da lama,
o tato do chão.
Tilintou a taça azeda;
seus cacos me cortaram.
Marcado, eu gemo; um fraco!
Não há máscara, nem véu,
nem maquiagem ou forca
pra disfarçar minha vergonha.
O abismo me espreita;
Uma platéia me assiste.
Contido no inferno,
eu, arrependido e desolado,
sob lâmpadas e holofotes,
sapateio meu perdão,
no amor de trinta moedas.
(Max da Fonseca)







































