Foto: Pensar na vida, por Joao Gonçalves. Aos sábados, eu janto com meus irmãos.
À mesa, todas as nossas verdades.
Foto: Pensar na vida, por Joao Gonçalves.
Ao apetite.
É chegada e com bons olhos a vejo.
Eu poderia dormir na sombra dos seus seios
E ver tevê nos seus olhos até no sono pegar.
É chegada e com ternura recebo.
Eu poderia me banhar no molhado de seus beijos
E, sem receios, te suar de imprudentes carnavais.
É chegada. E isso basta para tudo melhorar.
Abençoem os Orixás que a ternura nos achou.
Do tempo que restou, façamos um jantar.
E nos sirvamos temperados com fondue.
Sem norma de etiqueta ou fina estampa.
O jejum acabou. Comecei pela sopa.
(Max da Fonseca)
A Fabrício de Queiroz Venâncio.
"O difícil é aguentar até que a morte chegue".
(Ruy Espinheira Filho)
O cheiro ficou no lençol.
Cabelos e pó pelo chão do quarto.
Vazios, os armários, as gavetas;
Paira uma saudade embrutecida
pelas tormentas matutinas.
Deverias me deixar ao anoitecer.
Ninguém se vai ao meio-dia.
Sombrios, os espelhos, as cortinas;
A poltrona ainda mira sua chegada
e a espera descansa em nosso lar.
A vodka ainda lembra você, não bebo.
O cinzeiro não me aguenta mais.
Manchados, os retratos, o carpete;
Escrevi poemas em seu nome
e me dediquei por cortesia.
Alívio tolo; consolo inútil.
Tudo passa; passarás.
(Max da Fonseca)
Parte o tempo.


Na gaveta, dormindoAcordei sentindo o cheiro da vitória.
A glória que eu tanto almejava,
Parecia enfim ter dado a cara
Para que eu a beijasse em contemplação.
Tudo sensação; pressentimento.
Essa cadeia de sensações me veio com o vento.
Não é todo dia que esse vento quente me acolhe,
Nem toda hora que a vitória me escolhe:
É dia de sorte! Dia de sorte! Só pode ser...
Positivo e confiante,
Como antes, quando tudo fora belo,
Levanto, me banho, me benzo e rezo.
“Se hoje eu ganhar, certamente vou largar,
Essa vida tão incerta dos jogos de azar”.
Promessa promíscua.
O dia vai passando e a noite se aproxima.
Apanho minhas rimas, risadas e amuletos,
Parto para o cassino obsoleto, e jogo:
Lanço minha lira aos céus dessa casa, e giro...
Hoje é tudo ou nada!
A roleta está pra mim e tenho que aproveitar.
Aposto tudo, preciso ganhar;
Se eu perder não haverá nem órgãos nesse corpo,
Corpo triste, nada restará...
Coração oco!
Um pouquinho de tensão no girar dos números,
Meu mundo vai ao chão: “Estou rico!”
Mais que isso: “Estou muito rico!”
Dez algarismos decodificam minha felicidade:
Pra minha idade é tudo que preciso.
Vou sair do Recife; morarei no Caribe,
Com vista pro mar. Vou surfar nesse mar de dinheiro
E estacionando minha Ferrari vermelha,
Como o vermelho do sangue caído, sorrir.
Um passo para o meu objetivo.
Agora que enfim existo; agora que SOU,
Partirei ao seu encontro, sorrindo, no trilho
Comprarei o seu amor e lhe terei por inteira,
E quando enjoar de te amar, descartarei...
Como outrora tu fizeste.
(Max da Fonseca)
Um inverno habita em mim.
E lá estava eu,
Preciso de mais óleo.
Nenhuma voz, que não a do coração 



O silêncio suprimiu as palavras
O Vermelho do Vento
Cochilo
AS VERTIGENS DE UM OLHAR NA SOLIDÃO





Numa folha de papel reciclado, como o amor,






Profeta de mim mesmo, trilhei meu caminho"Não me compreendes porque, todavia, dependes deles, assim como eles dependem de ti. Nem tu nem eles dependem, todavia, de si mesmos, mas todos vocês estão convencidos do contrário. Se somente pudessem compreender isto, compreenderiam todo o demais a seu devido tempo".